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Peru (1) – Lima, lá fomos nós!

Em dezembro do ano passado, depois de meses de longa e ansiosa espera, viajei para o Peru com três grandes amigas (Amanda, Raquel Leite e Raquel Saleh) para um mochilão de duas semanas. A primeira dica que fica de todo o processo que culminou em nossa saída de São Paulo no dia 1o/12 é: compre com MUITA antecedência as suas passagens aéreas. Demoramos um pouco para comprar e por isso o preço já estava meio salgado, mas nada que atrapalhasse o planejamento inicial. Definimos o roteiro algumas semanas antes de viajar, mas acabamos alterando um pouco, tendo ficado da seguinte forma: Lima – Paracas – Nasca – Cusco – Aguas Calientes – Machu Picchu – Cusco.

10/12 – São Paulo: nosso avião saía bem cedo, então optamos em pegar um taxi de onde estávamos (perto da Paulista) diretamente para o aeroporto de Guarulhos, o que ficou mais barato que pegar aquele ônibus que sai da República. A outra opção, pegar o ônibus de linha que sai do metrô Tatuapé, não era viável por causa do horário que saíamos (metrô ainda não funcionava) e pelo peso das malas.

Guarulhos não estava lotado e tanto o despacho quanto o embarque foram bem tranquilos. Nosso voo saía de São Paulo para Lima com conexão em Santiago por umas boas horas (leia-se ficar parado umas 6 horas aproximadamente), então já fomos preparados para esperar por muito tempo no bonito aeroporto da capital chilena. O duty free desse aeroporto é grande e tem muito mais opções para quem está afim de fazer compras que a volta por Guarulhos – o que é uma verdadeira decepção para os gastadores.

A Raquel L. levou seu netbook e permitiu a todos que mantivéssemos bom contato com o Brasil pelo Skype, além de matar um bom tempo nos saguões de aeroporto – foi o caso de Santiago, onde pudemos acessar a internet por meio do wifi do Starbucks do aeroporto. Mesmo assim, deu pra ouvir música, comer, andar à vontade pelas lojas e descansar um pouco. Um adendo importante: cuidado ao comprar no Chile. O peso chileno usa um câmbio muito diferente do que estamos acostumados, então uma compra por 120.000 pesos chilenos pode parecer 120 dólares no ticket de preço e causar uma enorme dor de cabeça – como aconteceu conosco.

Depois de muuuuuuuito tempo de viagem e três horas diferentes no fuso horário, chegamos a Lima. Para evitar complicações e por não conhecermos a cidade, contratamos um transfer pelo próprio hostel. Saiu muito mais caro do que sairia por uma negociação comum (tema dos próximos posts), mas garantiu uma chegada tranquila, um porta-malas grande e menos cansaço. Enfim, chegamos ao Loki Hostel de Lima :)

No próximo post falo de Lima e de alguns lugares legais que valem a visita!

 

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Malos Aires?

E então passei 5 dias em Buenos Aires. Devo dizer que achei a capital argentina superestimada, mais por que se fala demais a fim de exaltar uma viagem específica que se tenha feito do que necessariamente pelas características da cidade. Obviamente, é minha opinião. Não posso me conter em comparar com Santiago, São Paulo e Rio de Janeiro, cidades grandes do continente que conheço e mantém uma certa conexão em algumas áreas.

BsAs é muito bonita, tem avenidas largas, arborizadas e… caóticas. O trânsito daquele lugar é simplesmente insano, pior que do Marrocos, parecido com o que a gente vê em filmes de perseguição policial. Os motoristas não dão a mínima para os pedestres, para a sinalização e para a necessidade de se dar seta quando se tem a intenção de tomar a esquerda ou direita. Isso é muito provavelmente reflexo da própria educação dos portenhos: são extremamente mal-educados, grossos mesmo. Turista para eles parece ser mais um, brasileiro, chileno ou mesmo argentino de outra região. Foram raros os lugares em que fomos (viajei com minha irmã e minha prima) bem recebidos, bem tratados e que tenhamos tido a devida atenção esperada de quem está disposto a conhecer uma cultura diferente e torrar seu dinheiro no estrangeiro.

Os restaurantes são fantásticos, a comida é muito boa. A carne e os vinhos fazem justiça à fama que recebem no nosso país. E o preço é muito bom, se compararmos com bons restaurantes de São Paulo, por exemplo. No entanto, aqueles que falam sobre compras na Argentina estão completamente por fora. Os outlets são ruins, com pouca variedade e os preços não compensam em relação ao que oferecemos por aqui. É perda de tempo parar na Córdoba apenas para conferir os tão famosos outlets, fica a dica. Paradoxalmente, na Rua Florida e na Galeria Pacífico (onde as coisas normalmente são mais caras), achamos tênis e roupas de marca com bons preços, bem mais baratos que no Brasil. Turismo de sacoleira fica pra outro lugar, portanto. Agora, quem quer viajar para comer bem e conhecer belos lugares, é de fato um tiro certo.

Andar de taxi vale à pena pelo preço. Mas só por isso, dá pra fazer turismo pela cidade toda tomando o transporte público. Mesmo assim, os trêns do metrô e os ônibus são feios, antigos e mal cuidados. São Paulo, por incrível que pareça, é muito mais exemplo de conservação que a capital argentina. Mas para por aí, já que o preço do transporte público portenho é irrisório e dá vergonha na mesma São Paulo que abusa dos que necessitam do metrô e do ônibus. Os taxistas não são educados (apenas um de MUITOS respondeu às nossas saudações de bom dia e boa noite) e fazem questão de receber o dinheiro trocado, o que por vezes nos colocou em situações delicadas por que os caixas eletrônicos para cartões pré-pagos só emitiam notas altas.

Hospedar-se em hostels continua sendo uma ótima opção para quem está afim de conhecer gente jovem, saber de lugares para visitar e fazer novas amizades durante a viagem que possam servir de companhia. Ficamos no Hostel Suites Florida e não tenho nada a reclamar. Pelo contrário, o staff (que tinha brasileiros) era muito atencioso (com exceção do atendente noturno, um bruto sem educação) e a estrutura muito boa. O café da manhã segue o padrão dos outros hostels e oferece o básico do básico – nada comparado com aquelas mesas fartas de hotéis. Os quartos são limpos e arrumados diariamente, o local é seguro e as festas no bar/restaurante do próprio hostel foram muito boas.

Digo das festas NO bar/restaurante, por que as festas que o hostel indicou na cidade foram um fiasco. As baladas eram cheias de gente estranha, o cigarro era praticamente liberado (inclusive outras cositas más) e a falta de educação era multiplicada por 10 com empurrões, pisões e falta de espaço. Simplesmente não valia à pena sair à noite em baladas famosas. O segurança de uma das boates deixou passar 5 caras na nossa frente e eu perguntei por que ele fez aquilo, no que me respondeu: “Por que são meus amigos”. Pronto, não precisa dizer mais nada. Mas a vontade que dá é de xingar de todos os palavrões possíveis e imagináveis. Valia à pena sentar em pubs e bares com mesas ao ar livre para tomar um bom vinho e comer alguns petiscos, mas infelizmente só percebemos isso depois de entrar em péssimas baladas, já no fim da viagem. A tão famosa vida noturna de Buenos Aires só deixou a desejar, inclusive me fazendo lembrar de como eu sinto falta das festas e da noite carioca – simplesmente as melhores baladas e os melhores lugares.

A ida ao Estádio Diego Armando Maradona para um jogo de Libertadores entre o Fluminense e o Argentinos Juniores foi sensacional. Com direito a classificação chorada até o fim, 6 gols, briga entre jogadores, perseguição fora do estádio, correria de torcida organizada e presença da política… Típico do futebol sul-americano: desorganizado e emocionante.

Minha conclusão é a de que se se procura arte, cultura, dança, bons cafés e restaurantes, bela arquitetura e bonitas paisagens, então Buenos Aires é um destino certo. Agora, se o alvo é a noite, baladas e “as pessoas”, sugiro sair correndo para o mais longe possível. Nesse sentido, Santiago do Chile ainda me encanta, consegue aliar esses dois pontos, da cultura e da balada. Me deu uma vontade enorme de simplesmente pegar um vôo e voltar para a capital chilena onde fiz ótimos amigos e aproveitei tanto – não que em Buenos Aires não tenha aproveitado e gostado, mas foi diferente, os fatos não corresponderam às expectativas.

Outro “problema”: há brasileiros demais. E normalmente viajar para a América Latina poderia significar conhecer viajantes que procuram conhecer de fato a cidade, a cultura, a população, os modos de vida, etc. O que vi em Buenos Aires foi o típico viajante de classe média, o que viaja sem pretensão alguma de se encantar com um lugar diferente, que quer mais comprar bebidas no free shop que pagar por um vinho com amigos em frente ao Rio da Prata. O comentário pode ser tendencioso, mas também é baseado na minha experiência no Chile em que conheci a cidade andando todos os dias durante horas, pegando ônibus errado, conversando com os habitantes e ficando amigos de alguns, conhecendo refugiados colombianos, tomando várias garrafas de vinho diferentes por dia, dormindo na praia como se já fôssemos acostumados a fazer isso todo final de semana, etc. Minhas companhias eram excelentes, mas a cidade foi dominada por desordeiros brasileiros que buscam diversão barata, como se estivessem em seu país – digo, aqui mesmo.

Valeu a experiência, quem sabe na próxima vez não viajo o mais fora possível da alta temporada e tenho uma melhor impressão? No lloraré por ti, Argentina. Aún no.

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Por Bangladesh

O decadente Orkut me colocou na página inicial a atualização de um colega. Lá vi algumas fotos de Dubai, seu destino turístico dessas férias, entre navios, prédios modernos, areia e outras cositas más. Me perguntei se o colega saberia quem está construindo toda a modernidade no meio do deserto, e a resposta é a mais óbvia possível. Além de ser um quasi-roceiro com o máximo do pensamento provinciano, a pessoa não consegue provavelmente dizer onde Dubai se encontra no mapa, e não me surpreenderia se comprar seu trabalho de conclusão de curso – em mais um abominável ato de paguei-passei.

(O WordPress apagou todo o post que escrevi, ficou só essa parte, abaixo o resumo do que estava aqui)

A idéia é que trabalhadores de Bangladesh são “convidados” a Dubai para que possam com 10 anos de trabalho ou mais juntar o suficiente para patrocinar uma vida melhor para suas famílias. No entanto, quando chegam na metrópole do deserto, descobrem que as condições de trabalho são as piores possíveis, casas sem isolamento térmico, redes de esgoto e água potável. Não recebem como prometido e se tornam praticamente escravos por terem que se submeter a esse tipo de trabalho para que possam ao menos se livrar da dívida feita pela viagem e pensar em voltar algum dia – nisso as famílias que ficaram no pobre país do sudeste asiático continuam suas vidas miseráveis e insalubres, mas com um a menos para trabalhar, o que nesse país é muita coisa.

Dubai enquanto isso é exibida como uma jóia, exemplo de modernidade. Ao mesmo tempo, dá calote em investidores e anuncia bancarrota parcial, assustando atores norte-americanos que aplicam seu “suado” dinheiro em terras de além-mar. Quanto do já gasto nos elefantes brancos do deserto poderia ter sido usado para pagar adequadamente os trabalhadores e financiar moradias adequadas? Será que o custo disso inviabilizaria todas aquelas obras faraônicas? Não, mas o capital fala mais alto, a exploração, a desumanidade e falta de respeito pelo próximo.

Não visitarei Dubai. Não há nada que me atraia àquele lugar. Nem a modernidade, nem as praias, nem a riqueza. Muito menos a pobreza escondida nas favelas distantes em subúrbios esquecidos pelo resto do mundo. Se for para ir à Ásia, optarei pela Turquia, pelo Líbano, pela Síria, entre outros. Ali perto, na África, o Egito e o Marrocos me atraem mais. Cultura, história e riqueza podem ser aliados. Por Bangladesh, não irei a Dubai.

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