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(re) recomeçar (de novo) outra vez

Queria voltar a escrever aqui fazia tempo. Sempre me passavam idéias estranhas de novas postagens e de como poderia tentar desenferrujar esse hábito saudável por meio dessa ferramenta maravilhosa que é a internet. Pois bem, hoje venci a preguiça – e os demais afazeres – e cá estou.

Vou me desatar das Relações Internacionais como objeto de “análise” e focar nas experiências cotidianas que a mudança para São Paulo me proporciona (olha, são muitas). É o famoso blog-umbigo, mas não me importo muito com possíveis críticas nesse sentido, até por que acho que qualquer blog segue um pouco essa linha, independentemente da forma com que se trata as exposições – tudo é parcial, sempre há um ponto de vista, deve-se frisar.

Cheguei na capital paulista há exatos 10 dias. Na verdade, 9 dias e muitas horas, mas isso não é relevante. Dei azar de ser mais uma vítima do nosso terrível sistema de aviação civil e meu vôo atrasou, além de ter passado por turbulências durante a viagem e demorado a pousar por causa do mau tempo. Não bastassem os aborrecimentos já citados, minha mala demorou um tanto bom a aparecer naquela esteira que nunca começa a rodar. Isso já prova meu argumento de que para morar em São Paulo (ou simplesmente visitar a cidade) é necessário ter duas coisas: paciência e guarda-chuva. Esse último é auto-explicável quando se conhece o apelido de “cidade da garoa” na prática – chove todo dia a qualquer hora e para da mesma força que começou. Paciência por que o transporte público é ineficiente (apesar de estar acima da média de quase todas as grandes cidades brasileiras, inclusa Belo Horizonte), as pessoas não são tão educadas quanto se imagina (uma generalização tosca, me desculpem, voltarei a falar do paulistano em outro momento) e tudo é caro e longe – querer o contrário em uma das maiores cidades do mundo chega a ser bestial.

Mas quem está na chuva, é para se molhar – e no caso de São Paulo, o lugar-comum cabe perfeitamente. Metrópoles tem seus problemas, mas são lugares fantásticos quando se faz uma força e releva alguns problemas. Meu mais novo roommate já me esperava em casa para a primeira recepção, mesmo que uma chuva torrencial atrapalhasse os planos iniciais. A semana transcorreu muito bem, resolvi algumas pendências (já errando a estação de metrô em meia a uma correria danada), conheci um pouco da região e como diria o Mestre Entei: “tá tudo bem agora”.

Amanhã falo mais desse lugar maravilhoso que é São Paulo – exceto quando o metrô para sem luz e ventilação.

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2010, o ano da política chata.

As eleições 2010 não terão Lula como candidato, isso é algo notável. Lula foi candidato de todas as eleições pós-88, notadamente as que ocorreram após o período ditatorial. Depois de algumas derrotas históricas como as eleições de Collor e FHC I, foi eleito em 2002 e reeleito em 2006. Enfim, então, o sapo barbudo do Brizola vai irar um merecido descanso e deixar para outro petista a tarefa de brigar pelo poder.

O governo Lula será lembrado pela liberdade de atuação em que a oposição não conseguiu se articular adequadamente. Mas também será a comprovação da falta de fidelidade ideológica do PMDB e de seu peso político que, ao apoiar um determinado partido (normalmente de situação), faz garantir a base no Congresso. Não vou discutir as altas taxas de crescimento econômico, a diminuição da pobreza por meio de novas práticas assistencialistas e a grande criação de empregos do período. Isso tudo é facilmente encontrado em sites governamentais e noticiários relacionados.

A grande atração dessas eleições é a chatice. A candidata de Lula é Dilma Roussef, ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, mas sem experiência em cargos eletivos. Dilma tenta passar a idéia de uma mulher forte e preparada. Mas o esforço é por vezes em vão, seu carisma não chega nem perto do de Lula –  e isso seria um problema para qualquer candidato, vale ressaltar. Seu opositor, do PSDB, é José Serra, já derrotado por Lula em 2002. Esse também não ganha pelo carisma, ao contrário, tem fama de hipocondríaco e twitteiro das madrugadas, o que lhe rendeu o apelido de vampiro (além de outras razões).

O primeiro debate, na TV Bandeirantes, mostrou essa chatice escancarada. Nem Dilma nem Serra podem se vangloriar de terem “vencido” o debate, na verdade foram sonolentos e repetitivos. A candidata do PV, Marina Silva, também decepcionou pela passividade extrema. A surpresa ficou pela atuação quase teatral de Plínio Arruda com bravatas típicas de debates entre Maluf e Covas (vale a pena assistir no youtube).  Plínio é candidato do PSOL, deixou isso claro o tempo todo e foi muito coeso ao explicar suas propostas e criticar os demais candidatos; uma pena que ele não tenha chance contra a dupla PT-PSDB.

Enfim, a política está chata. Lula pode ter conduzido bem o governo, mas seu paternalismo se arraigou demais. Não se sabe se quem vota em Dilma o faz pela candidata, por Lula ou pelo partido. Serra não critica Lula por medo de sua popularidade e, por isso, não divulga propostas tão diferentes da candidata do PT. Marina aborda o meio-ambiente como carro-chefe da campanha, mas isso no Brasil ainda não é primordial numa eleição que fala de empregos e crescimento econômico. ´

Coitados de Minas Gerais, ainda temos que lidar com alianças esdrúxulas que apenas confirmam a inexistência de qualquer ideologia partidária – e ninguém mais se espantaria se PT e PSDB tivessem se coligado no estado, isso já aconteceu. Aécio Neves é o maior representante dessa linha anti-ideológica, candidato ao senado pelo estado de MG. Bem, se o neto de Tancredo acha realmente que não é necessário acreditar minimamente em nenhuma tendência, deveria propor o fim dos partidos e a livre expressão individual. Isso lhe garantiria alianças sem problemas, podendo até mesmo expor sua amizade com Lula, por que não?

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Segurança Nacional – A Ameaça

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