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10 anos do 11 de Setembro

Compilando alguns comentários sobre o 11 de Setembro que postei no Facebook em conversa com amigos interessados no tema (quem sabe não me servem de inspiração para algo maior à frente? afinal, meu TCC, artigos publicados e futura dissertação são baseados na política externa dos EUA especialmente depois do 11/09):

“impressionante como uma “ameaça” de terrorismo muda toda a rotina de uma cidade. NY escolheu trocar liberdade por segurança, essa neurose que é transmitida pela TV e pelas notícias na internet parecem um mundo orwelliano – câmeras e revistas por todos os lugares e o “perigo” constante da “ameaça” exterior…”

“esse negócio de cores relacionadas à possibilidade de ameaça foi uma das ideias mais “geniais” no sentido de aumentar a neurose. é de fácil entendimento, resgata rapidamente o medo relacionado a eventos passados e deixa todo mundo esperando um pronunciamento horroroso. haja remédio pra ansiedade.”

“acho que tanto o ponto de Orwell em 1984 quanto do 11 de Setembro são ameaças construídas sem parar, na mídia o tempo todo, que “bombardeiam” o cidadão constantemente. a “ameaça” terrorista é muito menor e menos provável do que se possa acreditar ou dizer, simplesmente por que se um atentado ocorrer nos EUA da forma como foi no 11 de Setembro, será mais um evento que terá acontecido independente de qualquer risco que possa colocar. quando os EUA falam de uma “guerra ao terror”, o inimigo não existe de fato, ele é construído de acordo com o contexto, com as circunstâncias, da mesma forma que o inimigo em 1984 – ora a Lestásia, ora a Eurásia, ninguém sabe ao certo. Tanto Bin Laden quanto Kadafi quanto Saddam já foram “aliados” e se tornaram “inimigos” e “ameaças”, portanto, perigo real existe – está em qualquer lugar a qualquer momento, e nem por isso a neurose nos assombra nesses mesmos momentos e lugares -, mas a “realidade perigosa” de que tratam os EUA, nesse caso, é muito mais uma construção que algo determinado e fixo.”

“não é teoria da conspiração. não disse que o 11 de setembro não existiu nem que algo foi forjado. não há como fazer pesquisas sérias levando em conta apenas suposições conspiratórias – não entro no mérito delas. o que levo em conta é que a construção da realidade e das “ameaças” é algo muito mais sutil e que envolve interesses maiores que apenas a dita “segurança nacional” – outro termo recorrente no assunto que volta e outra assume conotações de acordo com o contexto.”

“como disse Orwell: “guerra é paz; liberdade é escravidão; ignorância é força”. quando os americanos apoiaram bush na sua “guerra ao terror”, abriram mão da liberdade para ter maior segurança, preferiram a guerra a fim de atingir a paz e ignoraram questões constitucionais para dar maior força ao presidente pelo ato patriota e outros organismos governamentais. orweel nunca esteve tão presente, hehe…”

“autodefesa em relação a quem? o afeganistão e o iraque foram responsáveis pelos ataques? algum outro Estado? ou foi uma dita organização terrorista, um ator transnacional? se for, por que não houve um julgamento, não se levou o tema aos fóruns adequados e acatou-se o que foi decidido – se algo foi de fato? não existe um “terror” para quem se declara guerra, o que é o terror? um instituto, um grupo, vários grupos, um Estado ou vários Estados? quem define o que é terrorismo ou não, e se isso existir, quem faz cumprir decisões contra o que é determinado como tal? agressão pesada, será? o que a turquia fez contra os armênios e faz contra os curdos; os israelenses fazem contra os palestinos; China, Rússia e outros fazem contra grupos menores, etc, etc, etc (sem contar que os EUA foram o único país do mundo a ser condenado por terrorismo estatal quando do apoio a grupos na Nicarágua e ataques aéreos verdadeiramente agressores e pesados) – enfim, por que não se faz nada? por que eles tem o poder de invadir um país chamado de “falido” e “patrocinador” do terrorismo eles PODEM fazê-lo? autodefesa não seria a construção de um mundo mais seguro pelo aumento do comércio e ajuda a países pobres para que todos tenham de fato oportunidades de ver que o que os EUA defendem pode ser algo a ser copiado (o que eles chamam de democracia, liberdade, etc.) como já foi feito por exemplo em relação à França Revolucionária? discordo das invasões nesse sentido, ninguém pode falar como governar um país, qual regime é melhor e quais ideias são superiores – isso, além de tudo, é etnocentrismo.”

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O preconceito e os limites da democracia

Sabe o que é triste? A coação da opinião. Parece que pelo puro e simples direito de poder expressar o que se tem direito, não se pode mais criticar ou contra-argumentar. Daí, taxam-se adjetivos pejorativos, julgamentos prévios e comentários raivosos.

Ora, a livre expressão não inclui a discordância, a crítica e o descontentamento? Especialmente quando se trata de comentários racistas e homofóbicos, como pelo sr. deputado Jair Bolsonaro, quem cala consente. Dizer que como deputado ele tem DIREITO de se expressar não é negado, o conteúdo da sua mensagem que é deplorável. Defender a família, a moral e os bons costumes é um discurso antigo e que esse dinossauro da ditadura tenta retomar num momento em que deveríamos olhar para temas de vanguarda, sermos verdadeiros progressistas. Mas ainda assim, esse discurso da valorização da família, da “defesa” da pátria, etc, ainda é válido – não fere ninguém, não atinge ninguém.

No entanto, e exatamente por que nosso país é livre e democraticamente constituído, esse senhor não pode achar que está novamente num regime militar e desferir esse tipo de comentário. Digno de fascistas do começo do século passado, sua atitude é mais um capítulo de como os parlamentares brasileiros tem poderes demais. Não apenas o poder material extremamente exagerado, mas um poder simbólico que se traduz pelas relações de poder que um discurso carrega. Bolsonaro pode falar “o que quiser” e não ter que responder por isso, seu mandato lhe dá prerrogativas especiais que os pobres mortais pagadores de impostos não tem. Em parte justificáveis, no entanto, racismo é crime e homofobia atenta contra a dignidade da pessoa humana e isso não pode ser passível de atenuante pela sua condição de deputado.

Por isso, não aceito que me digam pra calar ou aceitar as implicações jurídicas de sua eleição. A nossa Constituição impõe limites, até para os representantes no Congresso. E já passou da hora de deixarmos esse positivismo exagerado de lado e colocar os verdadeiros interesses nacionais (como o caso da Ficha Limpa) em pauta, sob um olhar mais crítico das necessidades da própria democracia e mais sensível às demandas da população.

Os indivíduos que votaram em Jair Bolsonaro provavelmente gostam de seus comentários e compartilham de suas posições ideológicas. Eles tem o direito para tanto. E ninguém deve pensar em retirar isso deles, democracia – para o bem ou para o mal – é isso, são as regras do jogo. Todo país tem que saber lidar com essas minorias (imagino e espero) retrógradas e atrasadas. Mas não irei aceitar calado, por que apesar do deputado não ter o direito de usar de suas prerrogativas para alimentar preconceitos, eu (e qualquer outro cidadão) tenho o direito de acusá-lo e rebatê-lo.

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