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O pior Cruzeiro desde…

…nem sei quando. Sinceramente, não me lembro o último ano em que o Cruzeiro disputava apenas o Campeonato Brasileiro e ia tão mal na competição. Não por menos já passaram pelo clube, só nesse ano, Cuca, Joel Santana e o “efetivado” Emerson Ávila. Acho que ninguém sabe explicar por que Cuca deu tão certo ano passado, sendo vice-campeão, e na fase de grupos da Libertadores em que ganhamos praticamente todos os jogos e com goleadas sobre times como o Estudiantes, rival desde 2009. Depois da estranha eliminação pelo Once Caldas em casa, o time desandou. Ganhamos o Campeonato Mineiro sobre o pequeno time de Vespasiano e isso talvez tenha deixado uns ou outros felizes – mas sinceramente: esse campeonato realmente vale alguma coisa?

Depois de um péssimo início de Brasileiro, Cuca pediu demissão e Joel assumiu. Acho que o grande erro do ano – entre diversos – foi esse: contratar Joel. O Cruzeiro nunca foi um time retranqueiro, mesmo na época de três volantes com Adilson Batista (que dessa forma soltava e bem os laterais, que apoiavam bastante o ataque), mas com Joel o time perdeu poder de fogo e o ataque foi completamente deixado de lado em detrimento da defesa, de não tomar gol a qualquer custo. A instabilidade desse péssimo treinador, provavelmente desacostumado com tantas regalias e uma estrutura tão boa (afinal, treinar time carioca não serve de parâmetro para qualidade de CTs, mesmo que não haja causalidade entre isso e a posição na tabela, vide a classificação atual do Brasileirão), custou ao Cruzeiro uma posição desagradável em que não se briga por nada e começa a se especular o medo da zona do rebaixamento, algo extremamente incomum e improvável para os torcedores celestes.

Bem, Joel saiu. Menos mal, mas Ávila não foi uma boa opção. Não tiro os possíveis méritos que o treinador possa ter no futuro, quando tiver adquirido maior experiência, tiver um elenco realmente adequado, etc. Mas a situação atual exige um cherifão, alguém que imponha respeito e cobre dos jogadores atuações que sejam condizentes com a história do Cruzeiro – e com seus enormes salários. O atual treinador cruzeirense também não deu sorte, vejamos o elenco:

Goleiros: Fábio é incontestável – mesmo quando erra ainda é perdoado por que tem muito crédito. É provavelmente o melhor goleiro em atuação no Brasil. Rafael ainda é muito jovem e teve atuações regulares, mas como ocupou o cargo de titular por mais de uma vez seguida, parece que a ansiedade pelo menos passou e tem feito defesas importantes. É um bom reserva, mas no máximo isso. Douglas Pires é o terceiro goleiro, mas a opinião de muitos cruzeirenses é de que Gabriel deveria ocupar seu lugar pela atuação que teve no Mundial Sub-20 (e eu me incluo nesse grupo). Quando Fábio é titular, o Cruzeiro está muito bem servido, o problema é a sua falta – como nas atuais convocações para a Seleção e recente contusão.

Zagueiros: Victorino é titular absoluto, não há zagueiro melhor em todo o plantel do Cruzeiro – e por isso mesmo, o time sofreu com sua falta durante a Copa América, quando defendeu a vitoriosa seleção do Uruguai. É uma pena que tenha se machucado ainda durante a Copa América, e fica a torcida para que fique pronto para voltar ao campo o mais breve possível, está fazendo muita falta. Léo e Naldo eram reservas de Victorino e Gil (que vinha atuando bem e foi vendido – que novidade! – para o Valenciennes da França), então nem preciso dizer que como dupla titular estão fazendo um péssimo papel, com atuações sofríveis. Especialmente Léo, de quem esperava mais por que ano passado cobria bem quando necessário; Naldo veio da segunda divisão do Brasileiro e não tem capacidade de ocupar a titularidade, apesar de ter feito um ou outro jogo bom. Cribari que jogou sempre no futebol italiano estreou com a camisa celeste contra o Figueirense e decepcionou, tendo sido responsável por dois dos quatro gols sofridos, mas como jogou apenas um jogo ainda é cedo para avaliar sua verdadeira condição.

Lateral-direito: Vitor e Gil Bahia. O primeiro nunca mereceu a titularidade e mal serve para ocupar a vaga por falta de outro. Gil Bahia vem da base do Cruzeiro e sempre que entrou mostrou muita raça e vontade de mostrar bom futebol, pode ser uma aposta – no futuro, sacrificar os meninos da base em uma situação ruim acho que só prejudica o time e o jogador.

Lateral-esquerdo: Diego Renan e Gabriel Araújo. Aquele é chamado de Avenida Diego Renan por ter a característica de subir demais para o ataque e não voltar para a marcação, deixando um espaço livre de atuação dos adversários. De altos e baixos, quando quer jogar bola mostra-se uma boa opção – mas sempre com um volante para garantir a marcação nos espaços deixados. Gabriel Araújo é outro que vem da base e é o mesmo caso de Gil Bahia, não dá para avaliar se será um bom jogador no futuro.

Volantes: Charles voltou esse ano depois de um acordo com o Santos, enfim um bom jogador que veio esse ano para o Cruzeiro. Já jogou no time alguns anos atrás e sempre foi bom jogador, mesmo quando mediano, pelo menos não deixa de fazer o que lhe é requisitado – marcar bem e tocar a bola para os meias (inclusive, já fez gols esse ano). Fabrício é um excelente jogador, marca bem e tem raça, além de ser considerado ídolo por muitos torcedores e ter criado vínculo com o clube. No entanto, é um pouco explosivo e perde a paciência de vez em quando. Quando está com a cabeça no lugar e joga o que sabe, é sempre boa opção para a titularidade. Leandro Guerreiro também é da fase de “renovação” do Cruzeiro e, ao contrário do que muitos pensavam (eu incluso), tem feito boas atuações. Começou jogando mal, instável, mas depois pegou ritmo e tem jogado bem, marcando com seriedade e sem subir demais e deixar espaços para os adversários. Marquinhos Paraná é da época “antiga” do time, assim como Fabrício veio junto de Adilson Batista e ficou. Cone Paraná, não é dos melhores e já tem idade avançada para o futebol. Por mim, ocuparia a reserva e entraria se necessário ou para improvisar em alguma posição, única coisa que sabe fazer mais ou menos. Everton é o provavelmente o pior jogador de todo o time, não sabe marcar direito, deixa muito espaço, sobe demais e não volta, enfim… ninguém sabe bem o que faz no Cruzeiro, já passou da hora de ser dispensado. Éber vem da base, mas quando entrou não mostrou bom futebol, é outro que só resta torcer para que melhore com o passar do tempo.

Armadores: Montillo é o craque do time. O argentino, para mim, tem jogado mais que qualquer outro meia do país – lembrando que Ronaldinho Gaúcho tem atuado de atacante. Coitado dele que não pegou a fase de 2009, poderíamos ter sido campeões da Libertadores se fizesse parte daquele time… vide ano passado em que foi um dos principais responsáveis pelo vice-campeonato. Se não fosse por ele, provavelmente estaríamos em posição ainda pior na tabela. Roger deu certo no Cruzeiro. Falam mal dele de passagens em outros times, mas o cara tem entrado bem na maioria dos jogos. A formação de dois armadores, quando esses dois jogadores jogam juntos, costuma dar mais certo que quando um deles apenas atua na posição – pena que Joel não via isso e Ávila não tem conseguido emplacar um time completo em nenhum jogo. Gilberto é um armador que pode ser improvisado na lateral, e é uma pena que praticamente NENHUM técnico faça isso apesar dos problemas na posição. Apesar da idade, joga com muita raça e é bom jogador. Ultimamente tem ficado meio reclamão, fala mal da arbitragem em todos os jogos, mesmo quando está errado, talvez seja mesmo a hora de aposentar.

Atacantes: Bruninho é meia-atacante da base, mas ainda não teve oportunidade de mostrar se realmente pode ocupar a posição e ser uma revelação do time. Wellington Paulista nunca foi consenso no time, apesar de ter feito boa dupla com Kléber nos anos anteriores. Voltou ao Cruzeiro depois de não ter feito NADA no Palmeiras, mas parece que continua da mesma forma e já machucou – não fazendo NADA pelo Cruzeiro. Farías é um bom jogador de área, mas depois que Adilson saiu nunca mais foi realmente aproveitado. Na verdade, a diretoria espera por uma proposta pelo jogador já que o alto salário não compensa sua falta de aproveitamento – uma pena, já que os atuais atacantes não tem dado conta do recado e ele poderia ser uma boa opção. Wallyson era o único atacante que realmente jogou bem esse ano, mas infelizmente machucou e só volta ano que vem – quando a fase é ruim… não há azar que termine, só resta esperar mesmo. Anselmo Ramón só não é pior que Everton – por que seria necessário muito para tanto -, mas é um péssimo atacante. Os gols que o cara perde são inacreditáveis, não é possível que ele realmente ache que possa atuar na posição de um time grande como Cruzeiro, passou da hora de ser colocado na reserva, ou melhor, dispensado. Sebá é da base e já fica na reserva há um bom tempo. Entrou várias vezes, mas nunca foi decisivo. Começo a me perguntar que trabalho tem sido feito na base para que não consigamos emplacar nenhum atacante decente. Outro que por mim seria dispensado. Ortigoza é um bom reserva e nada mais, não consegue atuar bem como titular, tem raça e nada mais, um gol aqui e outro ali não resolvem o problema do time. Bobô chegou e até agora não fez nada que prestasse (leia-se: gol). Sua redenção no futebol brasileiro poderia ser no Cruzeiro, mas ele não parece muito interessado, outra contratação ruim. Keirrison que foi o maior artilheiro do Brasil em 2009, nunca mais repetiu as boas atuações de quando jogava no Coritiba. Foi comprado pelo Barcelona, jogou na Espanha, passeou pela Itália e voltou para cá. Mesmo caso de Bobô, ainda não mostrou a que veio, mas se resolver voltar a jogar como já fez um dia, pode ser útil – o problema é que não dá para esperar mais.

Dá pra ver a situação do time… que tristeza! Wallyson machuado, Thiago Ribeiro VENDIDO, Henrique (que vinha jogando MUITO) VENDIDO E PARA O SANTOS, Gil VENDIDO… e dos que vieram, só Charles realmente tem jogado bem. Nos faltam laterais nas duas posições, pelo menos mais um bom zagueiro enquanto Victorino não melhora, e mais um bom atacante, desses matadores. Por fim, um bom técnico, alguém que já tenha currículo, bagagem, etc. Torcer para o Cruzeiro pelo menos ficar numa posição melhor, menos medonha (isso é lugar para o pequeno time preto e branco do outro lado da Pampulha) e ano que vem ganhar a quinta Copa do Brasil, é isso que provavelmente nos resta. Haja paciência!

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Malos Aires?

E então passei 5 dias em Buenos Aires. Devo dizer que achei a capital argentina superestimada, mais por que se fala demais a fim de exaltar uma viagem específica que se tenha feito do que necessariamente pelas características da cidade. Obviamente, é minha opinião. Não posso me conter em comparar com Santiago, São Paulo e Rio de Janeiro, cidades grandes do continente que conheço e mantém uma certa conexão em algumas áreas.

BsAs é muito bonita, tem avenidas largas, arborizadas e… caóticas. O trânsito daquele lugar é simplesmente insano, pior que do Marrocos, parecido com o que a gente vê em filmes de perseguição policial. Os motoristas não dão a mínima para os pedestres, para a sinalização e para a necessidade de se dar seta quando se tem a intenção de tomar a esquerda ou direita. Isso é muito provavelmente reflexo da própria educação dos portenhos: são extremamente mal-educados, grossos mesmo. Turista para eles parece ser mais um, brasileiro, chileno ou mesmo argentino de outra região. Foram raros os lugares em que fomos (viajei com minha irmã e minha prima) bem recebidos, bem tratados e que tenhamos tido a devida atenção esperada de quem está disposto a conhecer uma cultura diferente e torrar seu dinheiro no estrangeiro.

Os restaurantes são fantásticos, a comida é muito boa. A carne e os vinhos fazem justiça à fama que recebem no nosso país. E o preço é muito bom, se compararmos com bons restaurantes de São Paulo, por exemplo. No entanto, aqueles que falam sobre compras na Argentina estão completamente por fora. Os outlets são ruins, com pouca variedade e os preços não compensam em relação ao que oferecemos por aqui. É perda de tempo parar na Córdoba apenas para conferir os tão famosos outlets, fica a dica. Paradoxalmente, na Rua Florida e na Galeria Pacífico (onde as coisas normalmente são mais caras), achamos tênis e roupas de marca com bons preços, bem mais baratos que no Brasil. Turismo de sacoleira fica pra outro lugar, portanto. Agora, quem quer viajar para comer bem e conhecer belos lugares, é de fato um tiro certo.

Andar de taxi vale à pena pelo preço. Mas só por isso, dá pra fazer turismo pela cidade toda tomando o transporte público. Mesmo assim, os trêns do metrô e os ônibus são feios, antigos e mal cuidados. São Paulo, por incrível que pareça, é muito mais exemplo de conservação que a capital argentina. Mas para por aí, já que o preço do transporte público portenho é irrisório e dá vergonha na mesma São Paulo que abusa dos que necessitam do metrô e do ônibus. Os taxistas não são educados (apenas um de MUITOS respondeu às nossas saudações de bom dia e boa noite) e fazem questão de receber o dinheiro trocado, o que por vezes nos colocou em situações delicadas por que os caixas eletrônicos para cartões pré-pagos só emitiam notas altas.

Hospedar-se em hostels continua sendo uma ótima opção para quem está afim de conhecer gente jovem, saber de lugares para visitar e fazer novas amizades durante a viagem que possam servir de companhia. Ficamos no Hostel Suites Florida e não tenho nada a reclamar. Pelo contrário, o staff (que tinha brasileiros) era muito atencioso (com exceção do atendente noturno, um bruto sem educação) e a estrutura muito boa. O café da manhã segue o padrão dos outros hostels e oferece o básico do básico – nada comparado com aquelas mesas fartas de hotéis. Os quartos são limpos e arrumados diariamente, o local é seguro e as festas no bar/restaurante do próprio hostel foram muito boas.

Digo das festas NO bar/restaurante, por que as festas que o hostel indicou na cidade foram um fiasco. As baladas eram cheias de gente estranha, o cigarro era praticamente liberado (inclusive outras cositas más) e a falta de educação era multiplicada por 10 com empurrões, pisões e falta de espaço. Simplesmente não valia à pena sair à noite em baladas famosas. O segurança de uma das boates deixou passar 5 caras na nossa frente e eu perguntei por que ele fez aquilo, no que me respondeu: “Por que são meus amigos”. Pronto, não precisa dizer mais nada. Mas a vontade que dá é de xingar de todos os palavrões possíveis e imagináveis. Valia à pena sentar em pubs e bares com mesas ao ar livre para tomar um bom vinho e comer alguns petiscos, mas infelizmente só percebemos isso depois de entrar em péssimas baladas, já no fim da viagem. A tão famosa vida noturna de Buenos Aires só deixou a desejar, inclusive me fazendo lembrar de como eu sinto falta das festas e da noite carioca – simplesmente as melhores baladas e os melhores lugares.

A ida ao Estádio Diego Armando Maradona para um jogo de Libertadores entre o Fluminense e o Argentinos Juniores foi sensacional. Com direito a classificação chorada até o fim, 6 gols, briga entre jogadores, perseguição fora do estádio, correria de torcida organizada e presença da política… Típico do futebol sul-americano: desorganizado e emocionante.

Minha conclusão é a de que se se procura arte, cultura, dança, bons cafés e restaurantes, bela arquitetura e bonitas paisagens, então Buenos Aires é um destino certo. Agora, se o alvo é a noite, baladas e “as pessoas”, sugiro sair correndo para o mais longe possível. Nesse sentido, Santiago do Chile ainda me encanta, consegue aliar esses dois pontos, da cultura e da balada. Me deu uma vontade enorme de simplesmente pegar um vôo e voltar para a capital chilena onde fiz ótimos amigos e aproveitei tanto – não que em Buenos Aires não tenha aproveitado e gostado, mas foi diferente, os fatos não corresponderam às expectativas.

Outro “problema”: há brasileiros demais. E normalmente viajar para a América Latina poderia significar conhecer viajantes que procuram conhecer de fato a cidade, a cultura, a população, os modos de vida, etc. O que vi em Buenos Aires foi o típico viajante de classe média, o que viaja sem pretensão alguma de se encantar com um lugar diferente, que quer mais comprar bebidas no free shop que pagar por um vinho com amigos em frente ao Rio da Prata. O comentário pode ser tendencioso, mas também é baseado na minha experiência no Chile em que conheci a cidade andando todos os dias durante horas, pegando ônibus errado, conversando com os habitantes e ficando amigos de alguns, conhecendo refugiados colombianos, tomando várias garrafas de vinho diferentes por dia, dormindo na praia como se já fôssemos acostumados a fazer isso todo final de semana, etc. Minhas companhias eram excelentes, mas a cidade foi dominada por desordeiros brasileiros que buscam diversão barata, como se estivessem em seu país – digo, aqui mesmo.

Valeu a experiência, quem sabe na próxima vez não viajo o mais fora possível da alta temporada e tenho uma melhor impressão? No lloraré por ti, Argentina. Aún no.

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Impressões de quase um mês

A saga de sair do estado mais charmoso do país e me mudar para São Paulo – esse lugar maravilhoso – continua. Três semanas (mais ou menos) depois de começar essa jornada, já tenho algumas impressões sobre a cidade e o povo. São, obviamente, como não poderia deixar de ser, generalizações. Não tenho o intuito nem recursos de identificar padrões culturais e antropológicos. Isso seria até interessante, mas não se encaixa no meu perfil de pesquisa e provavelmente quebraria todo o encanto de se escrever livremente em um blog.

Paulistanos são pessoas impacientes e reclamonas. E isso não é julgamento, apenas uma constatação. Provavelmente a veia italiana que impera em boa parte dos cidadãos tenha prevalecido, não sei. O ponto é que eles falam alto, gesticulam e sempre tem algo a dizer sobre qualquer coisa – além de falar muito e interromper qualquer fala sua. Pro mineiro típico, seria um convite a ficar calado. A máxima de que “comemos quietos” vale muito bem aqui, dá para aprender muito mais ouvindo que falando, especialmente com um povo que adora expor seus pontos de vista e opiniões (algumas vezes bastante conservadores e retrógrados, diga-se de passagem – ou algo que os mineiros pensam mas não expõe com tanta facilidade).

Não sei como as ruas são tão limpas. Isso por que raramente vejo alguma lixeira, não sei se por estar acostumado a encontrá-las em abundância tanto em Belo Horizonte quanto no interior. Sempre tenho que guardar qualquer tipo de lixinho e andar uns bons quarteirões até encontrar um local adequado para dispensá-lo. Nada que atrapalhe meu dia ou acabe com a paciência, apenas um adendo aos comentários sobre a maior cidade do país.

Ao contrário dos funcionários da pós-graduação, as pessoas em geral não são muito educadas. Não costumam responder a um bom-dia nem a um obrigado. Ainda não achei um lugar em que me atendessem com sorriso no rosto e boa-vontade, mas pode ser apenas azar (até tenho o mestrado para me dizer o contrário, que tem ótimos funcionários para administrá-lo). Todos parecem estar muito distantes pensando em problemas e contas a pagar, recebendo seu dinheiro de forma automática ou respondendo sem muita vontade. No metrô, no supermercado, na padaria, ainda não encontrei pessoas de bem com a vida nessa cidade.

Outra coisa: as pessoas gostam de fila. MESMO. Pra qualquer coisa, parece que paulistanos são atraídos para elas como imãs e campos eletromagnéticos, é uma coisa impressionante. O que não é ruim por que denota uma certa organização à qual não estava tão acostumado em BH (lá as coisas eram mais no improviso, apesar de normalmente funcionarem).

Bem, já encontrei um bar de comida tipicamente mineira que transmite os jogos do Cruzeiro. Posso dizer que já estou praticamente realizado depois disso. Sinto MUITA falta daquela comida caseira de Minas, do pão-de-queijo quentinho saído do forno e feito com queijo da roça, do frango caipira com caldinho que só se sabe fazer no interior… tem coisas que são regionais e só podem ser experimentas localmente, acho que culinária é uma delas. Sinto muita falta da Praça da Liberdade, da Savassi, da proximidade das coisas, do jeito mineiro de se olhar um para o outro, de fofocar no telefone. Mas mais ainda, das pessoas queridas. Não que eu não goste dos amigos de Sampa, mas é tudo muito recente ainda. Os hábitos são muito diferentes, a forma de enxergar o mundo é um pouco mais realista – saudade de gastar horas imaginando o futuro com os bons amigos.

É fase, banzo. Aquele aperto que Minas causa no coração dos seus filhos. E nosso lar é onde nosso coração está, logo…

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Cruzeiro 2011

Não ouço falar de torcida mais chata e corneta que a do Cruzeiro. O time terminou em segundo lugar, sendo vice-campeão do Campeonato Brasileiro, no ano passado e mesmo assim as críticas continuam. No meu entender, a diretoria está certa em não sair vendendo tudo quanto é jogador e contratar por contratar. Já são praticamente três anos com a mesma base, que joga entrosada e tem chegado perto de conquistar títulos todos os anos (apesar de bater na trave todo ano).

O elenco desse ano está extremamente inchado e pode aumentar com a possibilidade da chegada do zagueiro Victorino (joga atualmente na Universidad de Chile) e de mais um atacante (o esperado matador que tanto fez falta ano passado). Segue a lista retirada do Superesportes:

Goleiros (4)
Fábio, Rafael, Gabriel Vasconcellos, Douglas Pires
Laterais-direitos (3)
Rômulo, Afonso, Geovane
Laterais-esquerdos (2)
Diego Renan, Pablo
Zagueiros (5)
Gil, Leo, Edcarlos, Naldo, Fabrício Dornellas
Volantes (7)
Leandro Guerreiro, Fabrício, Henrique, Marquinhos Paraná, Pedro Ken, Everton e Uchôa
Meias (6)
Montillo, Roger, Gilberto, Bernardo, Camilo, Dudu
Atacantes (9)
Wellington Paulista, Farías, Thiago Ribeiro, Wallyson, Thiaguinho, Eliandro, Reis, André Dias, Ortigoza

São 36 jogadores já à disposição de Cuca, sendo que mais dois podem chegar, ou seja, a possibilidade de 38 jogadores num time que terá aproximadamente 23. Isso significa que muita gente vai rodar, seja pra finalmente deixar o time por que não merece vestir a camisa azul-celeste ou para ganhar experiência em outros times menores (Leonardo Silva parece ter juntado as duas possibilidades).

No gol, Fábio é incontestável e Rafael é um bom reserva. O corte sobre para os outros jovens que subiram agora.

Com a saída de Johnatan, o time ficou carente de um bom lateral-direito e a vaga provavelmente ficará com Rômulo até contratarmos alguém que possa ocupar a posição adequadamente. Nesse caso, Afonso e Geovane disputam a reserva, sendo esse último uma aposta da diretoria vinda de Goiás (e sobre o qual não se tem muito conhecimento para qualquer tipo de crítica).

Na zaga, com a saída do traíra Leonardo Silva, seu xará Léo provavelmente será o principal ocupante da posição, principalmente por causa da boa atuação no ano passado. Fabrício Carioca, que chega do Palmeiras, provavelmente ocupa a outra vaga, visto que Gil não é lá de confiança em jogos realmente decisivos, (apesar de iniciar o ano como titular, aposto) e Edcarlos sofre de altos e baixos, o que lhe garante a reserva. Naldo chega da Ponte Preta como mais uma aposta da diretoria, por enquanto sem muitas chances, mas quem sabe? E se Victorino realmente for contratado, a titularidade finalmente será disputada entre bons zagueiros. Nesse caso, talvez seja interessante emprestar algum jogador ou dispensar Edcarlos, mas é complicado afirmar isso quando se pensa em zagueiros que sempre revezam a vaga.

Diego Renan é titular absoluto, tendo voltado a jogar bem no final do Brasileirão passado com o aperto de Cuca. Pablo é reserva e a posição está bem fechada nesse sentido.

Os volantes Fabrício, Henrique e Marquinhos Paraná jogam juntos há um bom tempo e tem sido a espinha dorsal do time, melhorada ainda mais com a chegada de Montillo. Numa escalação com três volantes, os três devem iniciar o ano como titulares. Leandro Guerreiro, se conquistar a confiança de Cuca, poderia ser um bom substituto para Marquinhos Paraná que tabém oscila bastante em suas apresentações. Everton seguiria como reserva e Uchôa provavelmente será emprestado para adquirir experiência.

No meio, Montillo é o craque do time e tem sua posição mais que assegurada. Com dois armadores, Roger jogou muito bem ao lado do argentino e é uma boa opção, principalmente se apresentar o mesmo futebol do final do ano passado. Gilberto, nesse caso, pode ser aproveitado em uma das laterais com Diego Renan mudando de lado – esse caso seria interessante se ninguém se firmasse no lado direito. Camilo já provou que não tem lugar no time e já passou da hora de dispensá-lo. Dudu deve ser emprestado para ganhar experiência e Bernardo segue como uma incógnita (é ótimo jogador, mas será que já segura a posição?).

No ataque, são muitas opções para duas vagas. Thiago Ribery é o único que tem titularidade garantida, tem jogado muito, é veloz e mostra muita raça sempre que veste a camisa do Cruzeiro, além de aparecer como ponta e trabalhar bem nas assistências. Wellington Paulista deixou de ser matador faz muito tempo, podendo ser um bom reserva quando necessário. Farías chegou como estrela e não mostrou a que veio, afinal. Pode ser que apresente um futebol melhor esse ano, tem experiência e pode ser útil, mas pode enquanto não tem titularidade garantida. Ortigoza é a mesma coisa, não se sabe se apresentará um futebol realmente equivalente à posição de titular ou se seria bom apenas para compor elenco. O mesmo pode ser dito de André Dias. Esses jogadores provavelmente ficarão no time, enquanto Dudu, Eliandro, Thiaguinho e Wallysson devem ser emprestados. Reis é a terceira aposta da diretoria e fica no limbo, se se firmar pode ser uma boa peça de reposição, senão também deve ser emprestado.

Cuca diz que já tem o time todo definido. Espero que sim, o Mineiro 2011 começa daqui a pouco mais de uma semana e o Brasileiro desse ano será extremamente equilibrado (com exceção do Santos que montou uma equipe muito forte e do próprio Fluminense que permanece com um bom time), como tem sido todos esses últimos anos. Acredito que temos um time muito bom montado com chance sim de conquistar títulos. Quem sabe esse ano não saímos da trave e colocamos pra dentro?

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Brasileirão 2010 – Returno

Como todo brasileiro, dou pitaco em futebol e arrisco alguns palpites acerca do esporte. Nesse caso, o campeonato brasileiro é uma terra de oportunidades. Vou brincar de chutar alguns resultados e de como acho que terminará a disputa pelas classificações, título e rebaixamento.

1ª rodada do returno é hoje, seguem meus chutes (em negrito, o vencedor; nenhum em negrito é empate):

  • Grêmio x Atlético-Go
  • Goiás x Guarani
  • Cruzeiro x Internacional
  • Fluminense x Ceará
  • Atlético-PR x Corinthians
  • São Paulo x Flamengo
  • Vitória x Palmeiras
  • Prudente x Avaí
  • Vasco x Atlético-MG
  • Santos x Botafogo

Quanto à disputa de título, acho que vai ficar entre os seguintes: Fluminente, Corinthians, Internacional, Santos e Cruzeiro. Vejo muitos comentários sobre o Botafogo e o Vasco, mas não acho que aguentem o mesmo ritmo até o final do campeonato. Até mesmo o Santos que perdeu o Ganso e André já cai um pouco na lista. Se Grêmio e Atlético-MG não tivessem feito campanhas tão ruins no primeiro turno, também os colocaria nesse meio, mas acho extremamente difícil chegar a esse ponto. A classificação para a Libertadores anda junto da disputa pelo título, mas já cabe colocar outros nomes como os de Botafogo, Vasco, Palmeiras e São Paulo (esses dois últimos inseridos por desencargo de consciência).

Dessa forma, Palmeiras e São Paulo hoje tem muito mais a cara da Sul-Americana que da Libertadores. O mesmo pode ser dito sobre Flamengo, Avaí e Guarani. Os demais que já se encontram nessa área arriscam a balançar pra zona da marola, aquela que não classifica pra nada mas também não rebaixa. Atlétic0-MG e Grêmio, se fizerem uma campanha razoável no returno podem muito bem conseguir a classificação, o que talvez seja bem provável se pensarmos no que oferecem de elenco.

E, enfim, o rebaixamento. Arrisco a dizer que DUVIDO da permanência do Goiás na séria A do ano que vem. Também acho muito complicada a vida de Atlético-GO e Prudente. Não é impossível para nenhum dos três (quanto ao outro que se encontra na mesma situação, o Atlético-MG, já disse que o time tem mais fogo pra arder nessas novas 19 rodadas), mas levando-se em conta os outros times, a pontuação já feita e o histórico de alguns deles, não apostaria em nenhum.

Por fim, acho que uma classificação final poderia ficar assim:

  • Título/Libertadores: Fluminense, Corinthians, Internacional, Santos, Cruzeiro e Botafogo.
  • Sul-Americana: Vasco, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Grêmio, Atlético-MG, Avaí e Atlético-PR.
  • Zona da Marola: Guarani e Vitória.
  • Rebaixamento: Goiás, Atlético-Go, Ceará e Prudente.

Óbvio que são chutes sem nenhum embasamento metodológico. Tanto que o fim da zona de classificação para a sul-americana com a zona da marola e o começo da zona do rebaixamento podem ficar extremamente confusos até o final do campeonato – e nisso eu aposto sem dúvidas. Da mesma forma, o começo da classificação para a sul-americana com o fim da classificação da Libertadores podem sofrer do mesmo contexto. Vamos ver nessa quinta o que sai de resultado da rodada pra ver se comecei bem os meus palpites. Se o Cruzeiro vencer hoje, já terá sido bom!

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