Arquivo do mês: julho 2011

7 meses e 9 dias na maior cidade do Brasil

 

Estou reaprendendo a gostar de São Paulo. Como bem disseram, a adaptação é longa mas vale à pena. O stress é constante, as pessoas não tem muito tempo para serem educadas e a foto acima mostra como fica o metrô na hora do rush. Ainda assim, tem se tornado divertido ver as peculiaridades da cidade: os bares-lanchonetes que tem o mesmo painel – apenas com o nome diferente -, as rodas de samba em plena Liberdade, a variedade gastronômica… está melhorando.

As baladas são fantásticas. É sério, os lugares são muito bonitos, as pessoas se vestem muito bem e o ambiente todo costuma ajudar – inclusive a música, até hoje não fui a nenhuma balada que tocasse música ruim. As filas são chatas, então o negócio é aprender a lidar com elas: ou chegar MUITO cedo ou chegar MUITO tarde na balada. Nesse caso, vale à pena qualquer um dos dois, o primeiro garante balada vazia, sem fila e a liberdade de dançar à vontade; o segundo garante um esquenta logo e animado em casa ou em algum dos milhares de bares legais da Augusta e região para enfim se acabar na pista.

A cidade transpira cultura. Movimentos sociais dialogam entre si na internet o tempo todo e marcam passeatas, marchas e encontros por toda a cidade, especialmente no vão do MASP. Na foto acima dá para ver o começo do que foi a Marcha da Liberdade há algumas semanas em São Paulo, baseada na diversidade de diversos grupos e movimentos. Dezenas de teatros, opções culturais gratuitas e museus interessantes recheiam essa mistura.

Da janela do mestrado, a Sé. É divertido e interessante estudar do lado de um dos cartões postais da cidade. Vê-se de tudo: pregações sobre o fim do mundo, dezenas de indivíduos vendendo e comprando prata e ouro, muitas lojas de departamento, bancas que oferecem de tudo e todo o tipo de contravenção nas vielas e ruas paralelas à praça (quem diz que não, é cego ou não admite). Mesmo assim, butecos charmosos e música animada costumam marcar a região à noite, de segunda a domingo – e é um convite a um happy hour diferente.

我爱 巴西。Ou, “Eu amo o Brasil”, das aulas do Instituo Confúcio, que também funciona no mesmo prédio do mestrado, esse que dá uma vista interessante para a Catedral da Sé. Estudar mandarim é outra peculiaridade de São Paulo, afinal, trata-se de um local específico de cooperação com o governo chinês e que só agora começa a pensar em passar para outras cidades do país (apesar de já ter em algumas como Porto Alegre, se não me engano).

Enfim, São Paulo está me conquistando. Aos poucos, mas está. Vejamos o que mais a terra da garoa tem…

Deixe um comentário

Arquivado em Pessoal, viagens

O bullying é o que fazemos dele

Fico pensando em como o bullying sempre existiu e ninguém praticamente nunca deu a mínima. Se o post parecer um pouco auto-biográfico é por que talvez realmente o seja. Acho que no Brasil esses lugares comuns de povo tranquilo, pacífico e tolerante ajudou a tapar os olhos para o que sofre um grande número de crianças e adolescentes do país. E não digo que as crianças são malvadas (os adolescentes podem ser sim), mas considero que as pequenas ações preconceituosas e intolerantes que vão surgindo na tenra idade são reflexos da influência dos pais – retrógrados e conservadores, gente que não soube lidar com as diferenças e passou essa mesma experiência aos filhos.

As diferenças de gênero, sexualidade, cor de pele, timbre de voz, estilo musical, sociabilidade e qualquer coisa que se queira colocar numa relação de alteridade fazem com que muitas crianças e adolescentes sofram diariamente. E não é um sofrimento infantil, passageiro, é algo que consegue destruir a auto-estima de qualquer indivíduo, que cria traumas que permanecerão pela vida inteira se não forem devidamente cuidados. O clima de competição típico das sociedades ocidentais só acirra essa necessidade de ganhar e não apenas ganhar, mas vencer sobre o outro, ter certeza da derrota alheia, da humilhação. Penso eu: que mundo nojento é esse que construímos e aceitamos? Mais ainda, como podem tantos pais aceitar e incentivar esse tipo de prática no cotidiano, com cobranças que não condizem com o que seria um verdadeiro status de bem-estar e felicidade? É muito triste.

Só quem já sofreu o bullying sabe como dói. Ser taxado de algo que não se é ou simplesmente ter características suas tomadas como negativas por que alguém diz que assim é são fatos recorrentes. Acho que pelo menos assumir o sofrimento por esse tipo de coisa pode incentivar àqueles que tem filhos e aos que pretendem ter a ensiná-los a serem mais tolerantes com as diferenças, a respeitar o que não é igual e entender que a beleza do mundo se encontra justamente na diversidade, na cor e na possibilidade de pensarmos diferentes.

Tomar o mundo como um lugar pronto, fixo e sem a possibilidade da mudança é deixá-lo cinza, sem perspectiva e carente de criatividade. Prefiro ver o mundo como uma grande aventura, um grande espaço colorido diariamente, preenchido vagarosamente por bons sentimentos e pela atenção em relação ao outro, pela vontade de ajudar ao próximo. Prefiro acreditar que isso é possível, apesar das demonstrações diárias de ódio e alienação e evitar responder esse tipo de ação com a mesma moeda. Não aceitar passivamente, mas lutar ativamente: esse deve ser o norte de todos que acreditam que as próximas gerações podem se livrar do bullying de seu vocabulário.

3 Comentários

Arquivado em Pessoal, Teorias