Arquivo do mês: janeiro 2011

Impressões de quase um mês

A saga de sair do estado mais charmoso do país e me mudar para São Paulo – esse lugar maravilhoso – continua. Três semanas (mais ou menos) depois de começar essa jornada, já tenho algumas impressões sobre a cidade e o povo. São, obviamente, como não poderia deixar de ser, generalizações. Não tenho o intuito nem recursos de identificar padrões culturais e antropológicos. Isso seria até interessante, mas não se encaixa no meu perfil de pesquisa e provavelmente quebraria todo o encanto de se escrever livremente em um blog.

Paulistanos são pessoas impacientes e reclamonas. E isso não é julgamento, apenas uma constatação. Provavelmente a veia italiana que impera em boa parte dos cidadãos tenha prevalecido, não sei. O ponto é que eles falam alto, gesticulam e sempre tem algo a dizer sobre qualquer coisa – além de falar muito e interromper qualquer fala sua. Pro mineiro típico, seria um convite a ficar calado. A máxima de que “comemos quietos” vale muito bem aqui, dá para aprender muito mais ouvindo que falando, especialmente com um povo que adora expor seus pontos de vista e opiniões (algumas vezes bastante conservadores e retrógrados, diga-se de passagem – ou algo que os mineiros pensam mas não expõe com tanta facilidade).

Não sei como as ruas são tão limpas. Isso por que raramente vejo alguma lixeira, não sei se por estar acostumado a encontrá-las em abundância tanto em Belo Horizonte quanto no interior. Sempre tenho que guardar qualquer tipo de lixinho e andar uns bons quarteirões até encontrar um local adequado para dispensá-lo. Nada que atrapalhe meu dia ou acabe com a paciência, apenas um adendo aos comentários sobre a maior cidade do país.

Ao contrário dos funcionários da pós-graduação, as pessoas em geral não são muito educadas. Não costumam responder a um bom-dia nem a um obrigado. Ainda não achei um lugar em que me atendessem com sorriso no rosto e boa-vontade, mas pode ser apenas azar (até tenho o mestrado para me dizer o contrário, que tem ótimos funcionários para administrá-lo). Todos parecem estar muito distantes pensando em problemas e contas a pagar, recebendo seu dinheiro de forma automática ou respondendo sem muita vontade. No metrô, no supermercado, na padaria, ainda não encontrei pessoas de bem com a vida nessa cidade.

Outra coisa: as pessoas gostam de fila. MESMO. Pra qualquer coisa, parece que paulistanos são atraídos para elas como imãs e campos eletromagnéticos, é uma coisa impressionante. O que não é ruim por que denota uma certa organização à qual não estava tão acostumado em BH (lá as coisas eram mais no improviso, apesar de normalmente funcionarem).

Bem, já encontrei um bar de comida tipicamente mineira que transmite os jogos do Cruzeiro. Posso dizer que já estou praticamente realizado depois disso. Sinto MUITA falta daquela comida caseira de Minas, do pão-de-queijo quentinho saído do forno e feito com queijo da roça, do frango caipira com caldinho que só se sabe fazer no interior… tem coisas que são regionais e só podem ser experimentas localmente, acho que culinária é uma delas. Sinto muita falta da Praça da Liberdade, da Savassi, da proximidade das coisas, do jeito mineiro de se olhar um para o outro, de fofocar no telefone. Mas mais ainda, das pessoas queridas. Não que eu não goste dos amigos de Sampa, mas é tudo muito recente ainda. Os hábitos são muito diferentes, a forma de enxergar o mundo é um pouco mais realista – saudade de gastar horas imaginando o futuro com os bons amigos.

É fase, banzo. Aquele aperto que Minas causa no coração dos seus filhos. E nosso lar é onde nosso coração está, logo…

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Cruzeiro 2011

Não ouço falar de torcida mais chata e corneta que a do Cruzeiro. O time terminou em segundo lugar, sendo vice-campeão do Campeonato Brasileiro, no ano passado e mesmo assim as críticas continuam. No meu entender, a diretoria está certa em não sair vendendo tudo quanto é jogador e contratar por contratar. Já são praticamente três anos com a mesma base, que joga entrosada e tem chegado perto de conquistar títulos todos os anos (apesar de bater na trave todo ano).

O elenco desse ano está extremamente inchado e pode aumentar com a possibilidade da chegada do zagueiro Victorino (joga atualmente na Universidad de Chile) e de mais um atacante (o esperado matador que tanto fez falta ano passado). Segue a lista retirada do Superesportes:

Goleiros (4)
Fábio, Rafael, Gabriel Vasconcellos, Douglas Pires
Laterais-direitos (3)
Rômulo, Afonso, Geovane
Laterais-esquerdos (2)
Diego Renan, Pablo
Zagueiros (5)
Gil, Leo, Edcarlos, Naldo, Fabrício Dornellas
Volantes (7)
Leandro Guerreiro, Fabrício, Henrique, Marquinhos Paraná, Pedro Ken, Everton e Uchôa
Meias (6)
Montillo, Roger, Gilberto, Bernardo, Camilo, Dudu
Atacantes (9)
Wellington Paulista, Farías, Thiago Ribeiro, Wallyson, Thiaguinho, Eliandro, Reis, André Dias, Ortigoza

São 36 jogadores já à disposição de Cuca, sendo que mais dois podem chegar, ou seja, a possibilidade de 38 jogadores num time que terá aproximadamente 23. Isso significa que muita gente vai rodar, seja pra finalmente deixar o time por que não merece vestir a camisa azul-celeste ou para ganhar experiência em outros times menores (Leonardo Silva parece ter juntado as duas possibilidades).

No gol, Fábio é incontestável e Rafael é um bom reserva. O corte sobre para os outros jovens que subiram agora.

Com a saída de Johnatan, o time ficou carente de um bom lateral-direito e a vaga provavelmente ficará com Rômulo até contratarmos alguém que possa ocupar a posição adequadamente. Nesse caso, Afonso e Geovane disputam a reserva, sendo esse último uma aposta da diretoria vinda de Goiás (e sobre o qual não se tem muito conhecimento para qualquer tipo de crítica).

Na zaga, com a saída do traíra Leonardo Silva, seu xará Léo provavelmente será o principal ocupante da posição, principalmente por causa da boa atuação no ano passado. Fabrício Carioca, que chega do Palmeiras, provavelmente ocupa a outra vaga, visto que Gil não é lá de confiança em jogos realmente decisivos, (apesar de iniciar o ano como titular, aposto) e Edcarlos sofre de altos e baixos, o que lhe garante a reserva. Naldo chega da Ponte Preta como mais uma aposta da diretoria, por enquanto sem muitas chances, mas quem sabe? E se Victorino realmente for contratado, a titularidade finalmente será disputada entre bons zagueiros. Nesse caso, talvez seja interessante emprestar algum jogador ou dispensar Edcarlos, mas é complicado afirmar isso quando se pensa em zagueiros que sempre revezam a vaga.

Diego Renan é titular absoluto, tendo voltado a jogar bem no final do Brasileirão passado com o aperto de Cuca. Pablo é reserva e a posição está bem fechada nesse sentido.

Os volantes Fabrício, Henrique e Marquinhos Paraná jogam juntos há um bom tempo e tem sido a espinha dorsal do time, melhorada ainda mais com a chegada de Montillo. Numa escalação com três volantes, os três devem iniciar o ano como titulares. Leandro Guerreiro, se conquistar a confiança de Cuca, poderia ser um bom substituto para Marquinhos Paraná que tabém oscila bastante em suas apresentações. Everton seguiria como reserva e Uchôa provavelmente será emprestado para adquirir experiência.

No meio, Montillo é o craque do time e tem sua posição mais que assegurada. Com dois armadores, Roger jogou muito bem ao lado do argentino e é uma boa opção, principalmente se apresentar o mesmo futebol do final do ano passado. Gilberto, nesse caso, pode ser aproveitado em uma das laterais com Diego Renan mudando de lado – esse caso seria interessante se ninguém se firmasse no lado direito. Camilo já provou que não tem lugar no time e já passou da hora de dispensá-lo. Dudu deve ser emprestado para ganhar experiência e Bernardo segue como uma incógnita (é ótimo jogador, mas será que já segura a posição?).

No ataque, são muitas opções para duas vagas. Thiago Ribery é o único que tem titularidade garantida, tem jogado muito, é veloz e mostra muita raça sempre que veste a camisa do Cruzeiro, além de aparecer como ponta e trabalhar bem nas assistências. Wellington Paulista deixou de ser matador faz muito tempo, podendo ser um bom reserva quando necessário. Farías chegou como estrela e não mostrou a que veio, afinal. Pode ser que apresente um futebol melhor esse ano, tem experiência e pode ser útil, mas pode enquanto não tem titularidade garantida. Ortigoza é a mesma coisa, não se sabe se apresentará um futebol realmente equivalente à posição de titular ou se seria bom apenas para compor elenco. O mesmo pode ser dito de André Dias. Esses jogadores provavelmente ficarão no time, enquanto Dudu, Eliandro, Thiaguinho e Wallysson devem ser emprestados. Reis é a terceira aposta da diretoria e fica no limbo, se se firmar pode ser uma boa peça de reposição, senão também deve ser emprestado.

Cuca diz que já tem o time todo definido. Espero que sim, o Mineiro 2011 começa daqui a pouco mais de uma semana e o Brasileiro desse ano será extremamente equilibrado (com exceção do Santos que montou uma equipe muito forte e do próprio Fluminense que permanece com um bom time), como tem sido todos esses últimos anos. Acredito que temos um time muito bom montado com chance sim de conquistar títulos. Quem sabe esse ano não saímos da trave e colocamos pra dentro?

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(re) recomeçar (de novo) outra vez

Queria voltar a escrever aqui fazia tempo. Sempre me passavam idéias estranhas de novas postagens e de como poderia tentar desenferrujar esse hábito saudável por meio dessa ferramenta maravilhosa que é a internet. Pois bem, hoje venci a preguiça – e os demais afazeres – e cá estou.

Vou me desatar das Relações Internacionais como objeto de “análise” e focar nas experiências cotidianas que a mudança para São Paulo me proporciona (olha, são muitas). É o famoso blog-umbigo, mas não me importo muito com possíveis críticas nesse sentido, até por que acho que qualquer blog segue um pouco essa linha, independentemente da forma com que se trata as exposições – tudo é parcial, sempre há um ponto de vista, deve-se frisar.

Cheguei na capital paulista há exatos 10 dias. Na verdade, 9 dias e muitas horas, mas isso não é relevante. Dei azar de ser mais uma vítima do nosso terrível sistema de aviação civil e meu vôo atrasou, além de ter passado por turbulências durante a viagem e demorado a pousar por causa do mau tempo. Não bastassem os aborrecimentos já citados, minha mala demorou um tanto bom a aparecer naquela esteira que nunca começa a rodar. Isso já prova meu argumento de que para morar em São Paulo (ou simplesmente visitar a cidade) é necessário ter duas coisas: paciência e guarda-chuva. Esse último é auto-explicável quando se conhece o apelido de “cidade da garoa” na prática – chove todo dia a qualquer hora e para da mesma força que começou. Paciência por que o transporte público é ineficiente (apesar de estar acima da média de quase todas as grandes cidades brasileiras, inclusa Belo Horizonte), as pessoas não são tão educadas quanto se imagina (uma generalização tosca, me desculpem, voltarei a falar do paulistano em outro momento) e tudo é caro e longe – querer o contrário em uma das maiores cidades do mundo chega a ser bestial.

Mas quem está na chuva, é para se molhar – e no caso de São Paulo, o lugar-comum cabe perfeitamente. Metrópoles tem seus problemas, mas são lugares fantásticos quando se faz uma força e releva alguns problemas. Meu mais novo roommate já me esperava em casa para a primeira recepção, mesmo que uma chuva torrencial atrapalhasse os planos iniciais. A semana transcorreu muito bem, resolvi algumas pendências (já errando a estação de metrô em meia a uma correria danada), conheci um pouco da região e como diria o Mestre Entei: “tá tudo bem agora”.

Amanhã falo mais desse lugar maravilhoso que é São Paulo – exceto quando o metrô para sem luz e ventilação.

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